Evento solar raro está em andamento e eleva a atividade geomagnética. Cientistas monitoram uma tempestade solar que pode impactar a tecnologia e iluminar o céu em regiões incomuns do planeta.
Uma forte explosão solar, registrada por observatórios internacionais de clima espacial, já impacta o ambiente da Terra nesta segunda-feira (19). O evento ocorreu após uma intensa Ejeção de Massa Coronal (CME), associada a uma explosão solar de alta energia, que atingiu a magnetosfera terrestre e iniciou uma tempestade geomagnética em curso.
Além disso, agências como a NASA e o Space Weather Prediction Center (SWPC), da NOAA, confirmaram que o planeta atravessa um período de atividade geomagnética elevada. Esse fenômeno natural acontece quando partículas solares interagem com o campo magnético da Terra. Como resultado, o cenário pode desencadear uma tempestade geomagnética intensa, aumentando de forma significativa as chances de auroras boreais e austrais em latitudes raras, além de possíveis impactos em sistemas tecnológicos.

O que é uma explosão solar e por que esse evento é importante?
O Sol passa por ciclos naturais de aproximadamente 11 anos, alternando períodos de baixa e alta atividade. Atualmente, estamos em uma fase de atividade solar elevada, conhecida como Máximo Solar. Por isso, a frequência de explosões solares e ejeções de massa coronal aumenta.
As explosões solares, também chamadas de solar flares, são liberações súbitas de energia na superfície do Sol. Em geral, elas estão associadas a regiões de intensa atividade magnética. Essas explosões recebem classificações que vão de A a X, sendo a classe X a mais poderosa.
Nesse caso, a explosão registrada foi classificada como uma erupção de classe X. Os dados iniciais indicam que se tratou de uma explosão classe X1.9. Isso significa que ela liberou energia suficiente para ser considerada grande e potencialmente impactante, sobretudo por estar associada a uma ejeção de massa coronal cuja trajetória estava direcionada à Terra.
Quando uma explosão solar ocorre junto a uma Ejeção de Massa Coronal, bilhões de toneladas de partículas carregadas são lançadas ao espaço. Essas partículas atingem velocidades que podem ultrapassar 1 milhão de quilômetros por hora. Ao interagir com a magnetosfera terrestre, elas provocam uma tempestade geomagnética, capaz de comprimir o campo magnético do planeta e intensificar a entrada de partículas na atmosfera.

Explosão solar já atingiu a Terra: o que está acontecendo agora?
Segundo especialistas, atualmente a tempestade solar em curso está classificada entre os níveis G3 e G4 na escala geomagnética adotada pela NOAA. Nesse contexto, essa classificação indica um evento que varia de moderado a severo. Além disso, esse nível demonstra que a ejeção de massa coronal provocou interações significativas no campo magnético da Terra e, como resultado, intensificou as auroras em altas latitudes.
De acordo com os dados mais recentes de monitoramento, a CME já alcançou o ambiente espacial da Terra e segue interagindo com a magnetosfera. Com isso, o cenário atual inclui os seguintes pontos:
• Atualmente, uma tempestade de radiação solar classificada como S4, considerada severa, está em curso. Nesse contexto, o fluxo de partículas energéticas aumenta e, como consequência, eleva os riscos para satélites, aeronaves em rotas polares e operações espaciais.
• As previsões indicam que a CME associada à explosão solar de 18 de janeiro chegou ou está chegando neste momento. Além disso, existe a possibilidade de que a tempestade geomagnética atinja seu pico entre a noite de hoje e a madrugada de amanhã.
• As projeções de clima espacial apontam que essa tempestade pode alcançar níveis G3 ou G4 nos próximos dias. Por isso, os especialistas consideram o evento raro e significativo.
Um dos efeitos mais aguardados de uma tempestade geomagnética forte é o aumento da atividade auroral. Normalmente, as auroras boreais, no hemisfério norte, e as auroras austrais, no hemisfério sul, permanecem restritas às regiões polares. No entanto, caso a tempestade alcance níveis elevados, elas podem se tornar visíveis em latitudes médias.
Especialistas afirmam que, se o impacto for intenso, o fenômeno pode ser observado muito além do Círculo Polar. Quando isso acontece, o evento passa a ser considerado raro e potencialmente histórico.

Onde as auroras podem ser vistas fora das regiões polares
Durante tempestades geomagnéticas moderadas a severas, como a atual, o oval auroral tende a se expandir. Dessa forma, a observação das auroras se torna possível fora das regiões polares tradicionais.
Segundo especialistas em clima espacial, existe chance de visibilidade em latitudes médias. Entre elas estão áreas do norte e centro dos Estados Unidos, como Minnesota, Michigan, Wisconsin, Dakota do Norte, Montana e partes do Colorado. Além disso, regiões do sul do Canadá, como Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica, também entram na zona de observação. Na Europa, países como Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Polônia e os países bálticos podem registrar o fenômeno.
Em todos os casos, a observação depende de céu limpo, baixa poluição luminosa e do pico da tempestade. Esse pico está previsto para ocorrer entre a noite desta segunda-feira (19) e a madrugada de terça-feira (20).

Por que o Brasil não vê auroras, mesmo em tempestades solares intensas como essa?
Apesar do interesse gerado por grandes explosões solares, o Brasil não possui uma posição geográfica favorável para a observação de auroras. Isso ocorre mesmo durante eventos extremos, por fatores científicos bem estabelecidos.
Localização próxima ao Equador geomagnético
O Brasil está situado majoritariamente próximo ao Equador geomagnético. Nessa região, as linhas do campo magnético da Terra são mais horizontais. As auroras, por outro lado, acontecem onde essas linhas são mais verticais, próximas aos polos.
O oval auroral não alcança latitudes tropicais
Mesmo em tempestades geomagnéticas severas, o oval auroral se expande apenas até latitudes médias. Na prática, ele raramente alcança regiões tropicais.
A magnetosfera direciona as partículas para os polos
As partículas solares seguem as linhas do campo magnético terrestre. Por isso, elas são canalizadas para as regiões polares, o que impede colisões suficientes sobre países como o Brasil.
Relatos históricos confirmam a raridade
Até hoje, a ciência não registra evidências confiáveis de auroras visíveis no Brasil. Mesmo assim, eventos extremos — como a Tempestade Solar de Carrington, em 1859 — ampliaram a visibilidade das auroras para latitudes médias; ainda assim, não há qualquer comprovação de que o fenômeno tenha sido observado em território brasileiro.

Um evento solar histórico com consequências duradouras
A recente explosão solar já impacta o espaço ao redor da Terra e faz parte de um período de maior atividade do Sol. Com isso, a temporada de auroras tende a se tornar mais intensa e frequente nos próximos meses, criando oportunidades únicas para observar o fenômeno.
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